• Fábio Santos

Solidariedade às mães

Atualizado: 31 de mai. de 2019



Qual o primeiro de todos os direitos naturais do homem?


“O de viver. Por isso é que ninguém tem o de atentar contra a vida de seu semelhante,

nem de fazer o que quer que possa comprometer-lhe a existência corporal.”

Pergunta nº 880 de O Livro dos Espíritos. Allan Kardec.


Se o amor de mãe é um dos sentimentos mais sublimes e fortes experimentados por nós, nos dois planos da Vida, o que pensar do sentimento de dor de uma mãe que tem o seu filho ou filha assassinados por alguém que tem o compromisso constitucional de protegê-los?


A dor somada ao sentimento de injustiça fez e faz unir muitas mães e parentes de vítimas do Estado. São vários casos, mas todos com um final em comum, um agente público de farda (em serviço) ou à paisana, em operação ou “fazendo bico”, extrai a vida de alguém!


Não há razão que justifique tamanha violência por parte dos agentes públicos - tirar a vida de alguém, compreendendo como exceção aceitável apenas as circunstâncias pontuais como uma troca de tiros envolvendo a defesa da própria vida ou de terceiros, com a devida comprovação dos fatos. Mas não é o que aconteceu com os filhos pelos quais suas mães lutam cada vez mais unidas e fortalecidas. Mães como a Cida, que conhecemos em Goiânia, que nos relatou que seu filho foi assassinado por um policial que foi contratado por outro homem. Mães como Marinete Silva que teve sua filha, a vereadora e ativista dos direitos humanos Marielle Franco, executada, cujos suspeitos são um policial e um ex-policial militares. E como não lembrar de Evaldo dos Santos Rosa, músico, e do catador de materiais recicláveis Luciano Macedo que foram executados por membros do Exército com 80 tiros! As histórias são inúmeras e se repetem todos os dias neste país!!!


Nos relatos que ouvimos percebemos a tristeza e o luto, mas também a força para ir adiante, para lutar pela reparação da justiça, pela condenação dos criminosos e que eles efetivamente cumpram a pena.


Esta luta por justiça e para que episódios semelhantes não se repitam mais fez com que os diversos movimentos espalhados pelo Brasil criassem a Rede Nacional de Mães e Familiares de Vítimas do Terrorismo do Estado que, este ano, promove seu 4º Encontro, desta vez em Goiânia, para lembrarem que o direito à Vida é o principal direito, que o direito à Segurança é para todos, e que isto implica no dever do Estado de promovê-los.


O ato, ocorrido dia 20 de maio de 2019 e que teve apoio e participação da AbrePaz, reuniu mães e familiares vindos de vários estados brasileiros, que reuniram-se na Praça do Trabalhador, junto à Estação Ferroviária, e caminharam até a Praça Cívica.


Importante ressaltar que a AbrePaz repudia a política do abate (“a polícia vai mirar na cabecinha e… fogo!”) proposta por um pseudopolítico recentemente eleito governador do Rio! Assim como sua autorização para que a polícia atire contra a população a partir de um helicóptero em voo, o que é inaceitável! Repudia o “pacote anticrime” proposto pelo governo federal, por meio do ministro da justiça, que prevê, entre outras medidas questionáveis, o “excludente de ilicitude” possibilitando a redução ou mesmo isenção de pena de policiais que causarem morte durante a atividade e alegarem “escusável medo, surpresa ou violenta emoção”, justificativa que poderia ser usada em inúmeras situações! Repudia a política armamentista! Tais medidas ensejam uma “limpeza social”, étnica, ou seja, política de extermínio.


A política é a arte de governar para o bem comum, com diálogo e promoção da cidadania plena.


Nossa solidariedade a todas as mães que sofrem por seus filhos que são exterminados nas comunidades, nas periferias, nos territórios esquecidos pelas políticas públicas de promoção da dignidade humana, e também às mães destes que causaram as tragédias, pois indubitavelmente também sofrem.


Lutemos pelos Direitos Humanos, pela justiça imparcial e célere, pela Vida!


Fábio Santos

Presidente da AbrePaz


 


Veja algumas fotos do ato:


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