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Nota pública nr. 001/2023 - Carta de repúdio aos atos golpistas de 08 de Janeiro de 2023


Vimos por meio deste repudiar integralmente os atos antidemocráticos e golpistas, ocorridos na data de ontem, domingo dia 08/01/2023 em Brasília-DF, proporcionados por extremistas de direita bolsonaristas. No dizer de outras palavras: militantes de abjeto movimento de natureza nazifascista.

Sim, repudiamos integralmente esses atos; mas não apenas eles. Repudiamos todos os demais atos, que ao longo de quatro anos se constituíram abertamente grave agressão à democracia e aos poderes da república, legitimamente constituídos e que foram coniventes, sobretudo, o legislativo agindo como base de apoio constituída a partir do Golpe de 2016 que interrompeu o mandato de uma presidente legitimamente eleita, em um processo de provas forjadas.

Não foi uma ou outra vez que vimos Bolsonaro e bolsonaristas atentarem contra o bem comum da lei e da ordem constitucional. As duas últimas datas de 07 de setembro, respectivamente 2021 e 2022, demonstram pontos críticos de tensões e tentativas de rupturas institucionais.

O golpe fascista vem se desenhando desde o instante em que o ex-presidente disputou a primeira eleição em 2018 e agora em 2022, afirmando que “não aceitaria o resultado das eleições, caso não fosse eleito". Após tomar o poder afirmou com todas as letras que “dali somente Deus o tiraria”.

E em 2021, em meio à tentativa de Golpe por Donald Trump nos EUA, reitera sua ideologia golpista com ameaças e ataques às urnas eletrônicas reforçando o viés nazifascista de seus apoiadores.

Sabíamos! Sabiam também o poder judiciário e o poder legislativo! Todos, com todas as provas que inundaram os noticiários cotidianos do país, sabíamos que o projeto bolsonarista era um projeto nocivo de perpetuação de poder. Porém, um projeto que, felizmente para todos nós, poderia ser interrompido: a candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva. Sendo esse, o real motivo de mantê-lo como preso político.

Pois bem, como vemos, não é de hoje ou de ontem, mas de anos que sucederam como aberrações na história de nossa democracia e civilidade, as ameaças e ataques de golpes à república brasileira, passando de atos terroristas de interrupção do sistema de tráfego de estradas com o intuito de criar o caos, atrofiando o sistema de atendimento de necessidades da população, para ameaças de bomba em aeroportos e concluindo com a invasão da sede dos três poderes em Brasília. Portanto, é a história e o poder sobre as narrativas da História que está em jogo.

Nos dizeres de Allan Kardec - autor referência para o contorno do corpo doutrinário espírita, em trecho já citado em manifestos anteriores, mais especificamente, as questões 781 à 783 de O Livro dos Espíritos -, ao refletir o conceito de progresso, do ponto de vista histórico e espiritual da transformação da alma humana, face às revoluções sociais, este (o progresso) seria uma forma de aperfeiçoamento inevitável da humanidade na luta contra a ignorância. Ambos (progresso e revoluções) “se infiltram nas idéias pouco a pouco; dormitam durante séculos; depois, irrompem subitamente e produzem o desmoronamento do carunchoso edifício do passado, que deixou de estar em harmonia com as necessidades novas e com as novas aspirações”. O progresso, segundo ele, “é uma força viva, cuja ação pode ser retardada, porém, jamais anulada por leis humanas más”. Leis injustas! Segundo ele, “quando estas leis se tornam incompatíveis com o progresso, se despedaçam, juntamente com os que se esforcem por mantê-las” (KARDEC, L.E. Q. 781-783).

Acreditamos e nos colocamos na luta para que as forças reacionárias não sejam capazes de resistir às transformações sociais e políticas dos tempos que buscam dar visibilidade aos invisíveis, voz aos silenciados e presença aos necessários. Como disse o Ministro dos Direitos Humanos, Silvio Almeida, em seu discurso de posse: “vocês existem e são valiosos para nós”.

Que os atos deploráveis e criminosos sejam pontuados, julgados e seus executores(as), idealizadores(as) e financiadores(as), sofram as consequências da lei.

A Justiça (Social) promove a Paz.


Brasil, 09 de janeiro de 2023

Associação Brasileira Espírita de Direitos Humanos e Cultura de Paz

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